Estudantes da UNIR deflagram greve contra a "Reforma" Universitária do Banco Mundial

 

Companheiros e Companheiras,

 

 

 

 

 

Text Box: Mais de 400 estudantes da UNIR decidem novamente em Assembléia Geral do dia 08/09/2008 pela paralisação de seus cursos

Desde a segunda-feira (08/09/2008), mais de 1100 estudantes da Universidade Federal de Rondônia - UNIR encontram-se em greve.

 

O estopim deste movimento se deu em decorrência da publicação do Edital 2009 do Vestibular da UNIR, que confirma uma formulação amplamente defendida pelo movimento estudantil da nossa universidade e que somente agora, tem a possibilidade de se verificar na prática: que a aplicação do REUNI no âmbito das IFES apenas cria as condições para o agravamento da situação de precarização, abandono e sucateamento a que estão sujeitas as IFES, enquanto o resultado de um processo histórico de destruição da universidade pública em nosso país.

 

Todos os cursos 36 cursos dos 5 campi da nossa universidade tiveram suas vagas “aumentadas”, com base em um projeto que, supostamente, foi “aprovado” durante uma reunião ilegítima e farsante do Conselho Superior Universitário – CONSUN, que ocorreu em outubro de 2007, sob a vigilância e proteção das forças policiais, na Base Aérea do Sistema de Proteção da Amazônia – SIPAM, durante a segunda ocupação estudantil ao prédio da Reitoria da UNIR. Essa reunião não é legitimada pelo conjunto da comunidade acadêmica, assim como também não reconhecemos a adesão da UNIR ao REUNI.

 

Além disso, inúmeros Departamentos já haviam se posicionado de forma contrária  a expansão de vagas nos seus cursos. Desrespeitando e sepultando qualquer resquício de autonomia da Universidade, o REI(tor) da UNIR amplia, de maneira arbitrária e unilateral as vagas dos cursos de graduação da UNIR.

 

Soma-se a isso, o fato de mais de 12 novos cursos (como Arqueologia, Engenharia Civil, Engenharia de Alimentos e Aqüicultura, Estatística, Filosofia, Engenharia de Alimentos, Segurança Pública, Biblioteconomia, etc) tiveram vagas destinadas ao Vestibular de 2009, sendo que sequer seus projetos políticos pedagógicos fossem apresentados e apreciados pelas instâncias competentes da UNIR – o Conselho Superior Acadêmico – CONSEA.

 

Ou seja, com base em um decreto autoritário e em uma proposta populista e demagógica de “expansão e ampliação do acesso ao ensino superior público no Brasil”, se operacionaliza um processo crescente de precarização da infra-estrutura já existente, de sobrecarga de trabalho docente e de dissociação entre o ensino, a pesquisa e a extensão.

 

Diante de todo este quadro, inúmeros cursos da UNIR que já apresentavam problemas crônicos quanto à insuficiência de corpo docente e técnico-administrativos, infra-estrutura adequada, decidiram por formular pautas específicas de reivindicação e unifica-las em torno de um programa comum para nossa Universidade, que contemple os anseios particulares de cada curso, somado a questões como Paridade nos Conselhos Superiores, Realização de um Congresso Universitário, Implementação do Restaurante Universitário e Construção da Moradia Estudantil.

 

Até o presente momento, os cursos de Pedagogia, Informática, Geografia, Medicina, Enfermagem, Psicologia, Engenharia Elétrica, Física, Ciências Sociais estão paralisados, sendo que no primeiro dia de paralisação, inúmeros outros cursos já sinalizaram a disposição de construir a greve, tal como os cursos de Biologia, Matemática, Ciências Contábeis e Letras Português, que realização Assembléias Gerais nos próximos dias.

 

Além disso, diante de toda a demonstração de capacidade, audácia e decisão dos estudantes em lutar, o REI(tor) da UNIR vem tentando fragilizar a unidade monolítica obtida entre os cursos, através de uma tática de negociações individuais e promessas vazias a inúmeros cursos.

 

Conseguiu-se neste primeiro momento, uma redução do número de vagas ofertadas para o Vestibular dos cursos de Educação Física, Medicina, Psicologia e Enfermagem. Uma primeira conquista do movimento de greve, e que coloca diante de nós a necessidade de elevarmos nossa capacidade de organização para avançar na unidade entre os estudantes e conquistar todos os direitos que nos são historicamente negados. Afinal, como nos ensina a histórica greve geral dos estudantes de Córdoba na Argentina, em 1918 – “A juventude não pede, exige”!

 

Defender com unhas e dentes a Educação Superior da “Reforma” Universitária do Banco Mundial/Lula

Toda essa mobilização empreendida pelos estudantes da UNIR coloca em perspectiva que é possível desenvolver o caminho do enfrentamento em relação REUNI, como forma de defender com unhas e dentes a Educação Superior Pública, Gratuita e que Sirva ao Povo dos ataques empreendidos sistematicamente, pela gerência Lula através da aplicação da “Reforma” Universitária do Banco Mundial. 

 

Entendemos companheiros, que estamos diante de uma nova e superior fase de luta contra a “Reforma” Universitária, que corresponde justamente à luta por impedir a aplicação do REUNI dentro das nossas Universidades, associada a uma luta política de um patamar mais elevado que é a luta pela construção de uma verdadeira, nova democracia dentro das universidades brasileiras.

 

Desta forma, em nome da solidariedade de classe e da unidade do movimento estudantil, solicitamos o envio de notas de apoio de todas as organizações estudantis democráticas e honestas (Federações e Executivas de curso, DCEs, Centros e Diretórios Acadêmicos), para que desta maneira, possamos avançar na construção de uma unidade do movimento estudantil em torno da defesa intransigente da Educação Superior Pública em nosso país.

 

O email para o repasse dos apoios é o dce_unir_2008@yahoo.com.br

 

Saudações de Greve

 

Diretório Central dos Estudantes – Gestão “Dias de Luta”

Comando Geral de Greve

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